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domingo, 1 de janeiro de 2012

Disco póstumo: The X Factor - Iron Maiden


The X Factor é o começo do que muitos chamam de "fase negra" do Iron Maiden. Alguns chamam de fase "negra" porque não gostam dos álbuns, do vocalista e das músicas (sem racismo com o termo 'negro', por favore); outros chamam de fase "negra" porque é onde o Iron Maiden estabeleceu uma nova sonoridade mais lenta, mais calma, mais longa, com mais introduções obscuras e etc... ou seja, uma coisa mais dark no sentido literal. Ao menos musicalmente, e até visualmente nas imagens de promoção do disco.


Quando traçamos uma linha do tempo na história da banda, aquele período era de incertezas para o então quinteto inglês... vindos da saída do vocalista Bruce Dickinson dois anos antes, o Iron Maiden apostou no desconhecido Blaze Bayley para o posto. Blaze, ex-vocalista do Wolfsbane, que havia aberto alguns shows do Maiden em tours passadas, nem de longe possuía o carisma e o talento vocal do antecessor. Porém, sua voz caiu como uma luva nessa sonoridade mais arrastada e 'escura' do Iron Maiden. Eu tinha 10 anos quando esse disco saiu, já era ligado no mundo da música, já acompanhava as revistas que meu irmão comprava, já conhecia o Eddie e o logo do Iron Maiden e tudo mais... e nessa época eu já via que a galera torcia o nariz demais pra esse disco. E hoje, quase 17 anos depois eu vejo os fãs por aí chamando esse disco até de clássico.

A ousadia do disco começa já na abertura: quando falamos de Iron Maiden, estamos acostumados a aberturas com canções rápidas, velozes, de impacto; lembremos de "Aces High", "Be Quick or Be Dead", "Where Eagles Dare", "Invaders" e etc... aqui, a abertura é com "Sign of the Cross", que tem dois minutos de introdução com cantos gregorianos e depois melodias comandadas pelo baixo do chefão Steve Harris com Blaze cantando por cima, que depois cai num groove bem legal com uma linha vocal bem interessante. Longas passagens instrumentais, belos solos de guitarra e uma letra inspirada em "O Nome da Rosa", de Umberto Eco, dão o tom nessa canção que foi executada ao vivo mesmo depois que Bruce voltou a banda, tendo sido registrada inclusive no dvd Rock in Rio, que a banda gravou no Brasil em 2001.
"Lord of the Flies", tem um riff meio hard rock do Janick Gers e é uma das únicas canções do disco que são pra cima o tempo todo (sem introduções longas e etc), tem ótimo refrão e solo, e também foi lembrada pela banda na fase pós-Blaze, tendo sido gravada com Bruce no álbum Death on the Road.
"Man on the Edge" foi o primeiro single do álbum, e é a típica canção do Iron Maiden desse disco. Quicá, a única. Poderia ter sido usada como abertura por ter o padrão para isso. Também foi tocada ao vivo com Bruce na Ed Hunter Tour, de 1999, a versão ao vivo com Bruce está disponível em singles, no box Eddie's Archive e na nova coletânea From Fear to Eternity. A letra da canção foi inspirada no clássico "Um dia de Fúria", com Michael Douglas.
Outro destaque desse álbum é "Fortunes of War", trazendo de novo para o disco a longa introdução e os belos licks de guitarra. Blaze tem uma excelente performance nesse tipo de música, assim como em "The Aftermath", que hoje é a minha favorita desse disco. As duas tratam de uma tema em comum muito explorado nessa fase: guerra, assim como a sensacional "The Edge of Darkness", inspirada no filme Apocalypse Now, que começa lenta e no meio da canção se transforma num heavy metal 'típico' do Iron Maiden com guitarras dobradas, cavalgadas e belos solos. "Look for the Truth" é bem interessante, com linhas de baixo 'gordas' numa canção com uma levada que, apesar de lenta, é empolgante.
"Judgement of Heaven" está na linha das canções mais 'pra cima' do disco, enquanto "Blood on the World's Hands", "2 A.M." e "The Unbeliever" seguem a linha das outra e do disco em si.



Os fãs, de uma maneira geral, acredito que aprenderam a escutar esse disco sem compara-lo com os álbuns clássicos da banda. É claro que tem aqueles que não gostam e pronto. Mas tem aqueles, e são muitos, que aprenderam a dar valor pra esse lançamento após ouvi-lo tendo em mente que não tem Bruce Dickinson e que a banda não estava tentando gravar um novo "The Number of The Beast"; que a época aqui refletia o momento da vida pessoal do chefão da banda com a morte de seu pai e seu divórcio, uma nova sonoridade devido a um vocalista com características completamente diferentes do anterior, letras com temas pesados e etc.

Foram compostas 14 canções para The X Factor, 11 entraram no álbum. As outras 3 podem ser escutadas em singles e no box Eddie's Archive, são elas: "I Live My Way", "Justice of the Peace" e "Judgement Day", todas elas rápidas e pesadas, especialmente as duas últimas, que com certeza conquistariam os fãs antigos, mas provavelmente não se encaixariam no "clima" do álbum em si e por isso a banda decidiu não inclui-las no "produto final".





Outras considerações pertinentes: a alta quantidade de participação de Janick Gers no álbum: participou de sete composições, e gravou alguns dos seus melhores solos na sua história no Iron Maiden nesse disco, assim como também criou belas melodias e licks.
Foi o segundo álbum da banda a não ser produzido pelo produtor Martin Birch (o primeiro foi o debut Iron Maiden), a produção aqui ficou a cargo de Steve e Nigel Green.
A capa original do disco foi censurada, gerando uma segunda capa determinados lugares:



O set list da tour do álbum, nomeada "The X Factour", foi:



Man on the Edge
Wrathchild
Heaven Can Wait
Lord of the Flies
Fortunes of War
Blood On The World's Hands
Afraid to Shoot Strangers
The Evil That Men Do
The Aftermath
Sign of the Cross
2 Minutes to Midnight
The Edge of Darkness
Fear of the Dark
The Clairvoyant
Iron Maiden
The Number of the Beast
Hallowed Be Thy Name
The Trooper


Running Free e Sanctuary foram tocadas em alguns shows, logo após The Trooper


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