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sábado, 3 de setembro de 2011

Dream Theater: A Dramatic Turn Of Events

Vazou o disco novo do Dream Theater, A Dramatic Turn of Events, ontem. Com lançamento previsto para o dia 13 de setembro é claro que os fãs não esperaram o disco ser lançado para ser ouvido.
A ansiedade era grande já que esse era o disco da retomada da banda após o furacão "saída do Mike Portnoy", tido como o grande líder da banda. Depois de uma certa novela com toques de reality show a banda anuncia seu novo baterista: o mestre Mike Mangini.
Soltam pelo youtube uma canção nova, "On the Backs of Angels", que agradou aos fãs em geral. Passaram um mês fazendo uma tour pela Europa, e iam soltando pequenos trechos de um minuto das canções novas toda semana... até que, claro, como acontece com toda banda: o disco vaza.
Esse era o disco que eu mais estava esperando este ano porque eu queria ver o Dream Theater finalmente livre daquele ex-baterista e lançando um grande disco.
Sobre a "On the Backs of Angels" não falarei muito, o texto linkado acima já diz a minha opinião sobre ela. De forma resumida: uma grande canção que remete ao Dream Theater dos "bons tempos", com uma estrutura musical muito similar a de "Pull me Under", clássica do álbum Images & Words, de 1992. Ou seja, escolheram o tema certo para começarem a divulgação do álbum. Meu único porém para essa canção é que ele não atinge um ápice...
"Build Me Up, Break Me Down" tem nos primeiros segundos um início meio eletrônico com um riff daqueles mais modernos que John Petrucci vem usando nos últimos álbuns da banda e me deixou meio assustado. Confesso que pensei: "não... eles não vão continuar nessa zona de conforto, não!". Não deixa de ser uma boa música e, como já disse James LaBrie, o vocalista, tem um grande potencial radiofônico com o refrão que fará a galera cantar junto nos shows.
"Lost not Forgotten" é o primeiro grande épico prog do disco. A primeira canção das quatro do disco que ultrapassam os 10 minutos de duração. Repleta de passagens intrincadas no início, cai numa levada comandada por Petrucci quando entrem os vocais. A canção parece ser uma das mais técnicas de todo o álbum. Tem trechos incríveis na parte instrumental, principalmente na bateria. Destaque para o solo de guitarra que é construído sobre uma base perfeita para ele (algo similar ocorre em "Under a Glass Moon", de 1992. Solo perfeito na base perfeita). Outra comparação com "Under a Glass Moon" que faço também é a introdução instrumental da música... O riff e a levada da batera lembram o clássico.
"This is the Life" é a primeira balada do álbum... tem um climão à lá "Hollow Years" (Falling Into Infinity, 1997) pelos solos de guitarra ou "The Spirit Carries On" (Scenes From a Memory, 1999) pelas linhas vocais de James.
Aqui começa a parte épica do disco, a parte Dream Theater old school, a parte mais "prog" do disco... As quatro primeiras músicas são como um grande início que abre caminho para o grand finale perfeito.
"Bridges in the Sky", pelos comentários que li nos fóruns, parece ser uma das três favoritas dos fãs até aqui. Com um início meio "ritualístico", é a deixa para um riff brutal, quase thrash, que é acompanhado por uma baixo "gordo" e Mangini quebrando tudo. Outra daquelas que ultrapassam os 10 minutos, com muitas passagens quebradas e James fazendo um vocal mais agressivo principalmente no refrão. Aliás, um dos melhores refrãos do disco.
"Outcry" tem uma intro de piano, e do nada surge um grande riff, o melhor do álbum, na minha opinião. Riffzão aberto, grandioso. Quase um crescendo. Uma passagem lenta no final abre caminho para o final mais épico. Uma das melhores do disco, com passagens instrumentais que levarão os fãs de músicas como "Metropolis Pt. I" ao delírio. Tem que estar no set list, com certeza.
"Far From Heaven" é outra balada. Comandada pelo piano e uma bela interpretação do James LaBrie. Bonita canção.
"Breaking All Illusions" é a melhor do disco. Com um riff dobrado logo de cara, sem introdução, com uma performance incrível de Mangini e Myung fazendo as bases, Jordan solta melodias "cantáveis" com o teclado a todo momento durante a música. Música que, aliás, contem outro solo memorável do John Petrucci. A expectativa para essa faixa era uma das maiores porque o "teaser" dela foi um dos que mais empolgou quando saiu e desde antes disso os fãs já sabiam que era uma composição de John Myung, algo que não acontecia desde "Fatal Tragedy" no álbum Scenes From a Memory. E Myung é aquele cara que não compõe muito, mas quando compõe geralmente são das melhores do disco. Vide a já citada "Fatal Tragedy", e "Learning to Live" de Images & Words.
Como disse John Petrucci aqui, "Breaking All Illusions" é o fim do disco, e a faixa seguinte "Beneath the Surface" é aquela parte onde os créditos sobem... uma balada acústica que tem um total clima de encerramento. Linda. A mais bonita das três baladas do disco.
A metade final do disco é incrível... e lá no começo quando eu disse que "On the Backs of Angels" não chegava a um ápice e esse era o único defeito dela, os épicos seguintes como "Bridges in the Sky", "Outcry" e "Breaking All Illusions" chegam a esse "algum lugar" e remete aos ouvintes os áureos tempos de Images & Words.
A Dramatic Turn of Events é nada mais nada menos que um aviso da banda para os fãs: nós ainda somos o Dream Theater, nós ainda podemos compor as canções que vocês mais gostam, nós ainda podemos lançar um clássico.
Um dos quatro melhor álbuns da banda.

Sobre as performances individuais:
James LaBrie cantou o álbum inteiro sem cometer exageros como ele faz ao vivo, principalmente. Não teve no disco aquele momento "chato" de ouvir a voz dele.
Jordan Rudess deu uma entrevista dizendo que após a saída de Mike Portnoy ele se sentiu mais livre para "passear" pelas canções com o teclado, e isso ocorreu de fato. Um grande disco para Jordan que foi também um grande co-compositor em parceria com o Petrucci nesse disco. Um dos estaques individuais do álbum.
John Myung is back! Passagens memoráveis do baixo nesse disco, além de uma grande composição: "Breaking All Illusions", a melhor do disco.
Mike Mangini cumpriu bem o seu papel, o disco não deve nada aos anteriores em termos de técnica e passagens quebradas de bateria. Performance incrível, já me deixa ansioso para um futuro disco onde ele terá liberdade de pelo menos compor suas partes.
John Petrucci é o grande responsável por tudo isso: escreveu oito das nove canções, compôs todas elas em parceria ou não e produziu o disco. Tomou boa parte das responsabilidades do antigo baterista e conseguiu fazer a banda soar como ela mesma. E melhor: lançou o melhor disco desde Scenes From a Memory, de 1999.

Único ponto negativo: talvez um pouco "de saco cheio" dos álbuns anteriores em que o chefão Portnoy deixava a bateria no talo, a produção dessa vez deixou a batera do Mangini muito baixa pros padrões DreamTheaterianos e algumas passagens seriam muito mais bem percebidas se a bateria estivesse um pouco mais alta. Mas nada que tire o brilho do álbum.

Nota 10.

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