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domingo, 27 de março de 2011

Whitesnake - voltando às raízes


Desde que o Whitesnake voltou aos estúdios depois de mais de uma década com o excelente "Good to be Bad", de 2008, já deu pra notar que o velho Coverdale queria que sua banda soasse como uma mistura daquele hard mais blueseiro dos primeiros discos com o som mais atual, moderno, de timbragem das guitarras capitaneadas pela dupla Doulg Aldrich e Reb Beach, que já haviam feito um excelente trabalho naquele e que agora, novamente, são o ponto alto de um disco do Whitesnake, o recém-lançado "Forevermore". Porém, tem que ressaltar que não só os guitarristas fizeram um excelente trabalho. O próprio mestre, dono da banda, David Coverdale foi a primeira coisa que me chamou atenção no álbum. O cara tá cantando demais! Quando soube de um disco novo do Whitesnake para 2011, eu esperava aquele Coverdale de voz totalmente rouca, economizando mais nos agudos... mas é justamente ao contrário.
Um dos pontos fortes do álbum, "Steal Your Heart Away", abre o álbum e você já nota a pegada setentista do Whitesnake e os solos e riffs inspirados que percorrem o disco todo. "All Out of Luck" é outra com pegada dos primeiros álbuns que empolga a sequência do disco, e você percebe que pelas duas primeiras canções poderia estar ouvindo álbuns como "Trouble" ou "Love Hunter" sem problemas. Aí o caminho abre para o primeiro single do disco: "Love Will Set You Free", que é outra canção que tem o clima setentista porém já faz uma ponte com a fase mais "Slide it In" da banda, segue o clipe oficial:



Outros destaques positivos do álbum: "I Need You (Shine a Light)", que nesse momento é a minha favorita do disco e parece ter saído direto de "Slide it In" (1984), um hard muito empolgante. "Dogs in the Street" que parece ser a favorita da maioria das pessoas, pelo que eu li pelos fóruns de internet, "Tell me How" e "Love and Treat me Right". Essas últimas todas se encaixariam bem em álbuns como "1987", "Slip of the Tongue" ou no recente "Good to be Bad".

O ponto fraco do álbum na minha opinião são dois: as baladas não são boas. Justamente o velho Coverdale que é um dos melhores compositores de baladas do hard rock, dessa vez errou a mão... "Easier Said than Done" e "One of These Days" não me agradaram, e "Fare The Well" é boa, apenas isso. Da última se destaca o timbre de voz de Coverdale que soube usar a rouquidão a seu favor mais uma vez, dessa vez mais contida do que em canções do álbum anterior como "Summer Rain".
O segundo ponto fraco é a quantidade de canções, raramente um álbum de 14 canções hoje em dia consegue empolgar do início ao fim. Fosse hoje como antigamente, e os álbuns tivessem nove, dez, no máximo onze canções, seria mais enxuto e a "escutada" seria mais proveitosa.
Talvez excluindo uma balada (a chata "One of These Days" é fraca demais), a faixa-título que não me agradou e "Whipping Boy Blues", que até agora não achei o grande momento dessa canção, o disco ficaria com cerca de dez canções e seria brilhante do início ao fim.

Tenho lido muitos fãs e críticos dizerem que esse é o melhor álbum desde "1987", outros dizem que é o melhor desde "Slide it In". Mesmo com os pontos fracos, é isso mesmo. Há duas semanas atrás eu não concordava tanto com isso, mas hoje acho "Forevermore" superior a todos os álbuns lançados após "1987", e só não é melhor que "1987" porque são daquele álbum clássicos como "Bad Boys", "Still of the Night", "Gimme All Your Love" e "Is This Love", porque em termos gerais, os dois álbuns se equivalem.

Com dois excelentes discos lançados em um período de três anos, uma formação que, embora continue com as constantes mudanças, é muito bem estabilizada, tem bastante entrosamento não importa quem sai ou quem entra, o Whitesnake segue como um dos principais nomes do hard rock. Coverdale ainda mostra que sempre é bem acompanhado em termos de guitarristas... no posto que já foi da dupla Marsden & Moody, de John Sykes, Steve Vai e Adrian Vandenberg, hoje estão dois caras que têm tudo pra enriquecer mais ainda suas histórias pessoais e na história da banda, os já citados destaques do disco: Doug Aldrich e Reb Beach.

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