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sexta-feira, 18 de março de 2011

UFC & Strikeforce


Foi anunciada esta semana a compra do Strikeforce, pelo UFC. De 2007 em diante, maior potência do MMA, o UFC vem destruindo a concorrência sem piedade. Mesmo tendo o charme de ser o pioneiro, por dez anos (1997-2007) viu o rival japonês PRIDE ser o maior e melhor evento de MMA do mundo, contando com os melhores lutados também. Depois de começar uma "amizade", e emprestar alguns lutadores para lutar no GP do Pride, o UFC comprou o mesmo em 2007. Na época parecia a fusão ideal: os melhores lutadores de MMA do mundo finalmente iriam pro evento pioneiro do esporte, e lutariam no octogono. Isso aconteceu, de fato. O único nome que não se rendeu ao UFC foi o russo Fedor Emelianenko que, anos depois, assinou com o Strikeforce.
Antes de assinar com o Strikeforce, o russo havia assinado com uma nova e promissora organização, a Affliction, que realizou dois eventos com nomes como Tim Sylvia, Andrei Arlovski, Pedro Rizzo, Josh Barnett, Vítor Belfort e Rogério Minotouro além, é claro, do russo Fedor. Prestes a acontecer o terceiro evento, o bicho-papão UFC foi lá e com suas artimanhas conseguiu que o evento fosse cancelado, além de fazer a Affliction virar novamente somente mais uma das patrocinadoras de roupa do UFC. Pride comprado, Affliction logo derrubado. Restou quem (de grandes organizações) no mercado? A DREAM, organização japonesa que surgiu para substituir o PRIDE, mas sem o mesmo prestígio, charme, sucesso e lutadores de nome; e o STRIKEFORCE, organização americana que se contentou por um período com as sobras do UFC (aqueles lutadores que saíam do UFC ou por problemas de renegociação de contrato ou por derrotas seguidas) e com o passar do tempo conseguiu lançar à fama suas próprias estrelas. O Strikeforce havia chegado ao ponto de não ser tão grande quanto o UFC, porém realizar eventos tão bons quanto - e às vezes até melhores.

Aqui o vídeo em que Dana White anuncia a compra:



Prós e contras da fusão

Os prós são que agora o Strikeforce será dirigido por uma empresa, e pessoas, já acostumada com o MMA de uma maneira muito mais profissional, tudo supervisionado pelos "olhos" do UFC. Segundo Dana White, nada mudará no Strikeforce em termos de lutadores, contratos, eventos já programados e etc. A única coisa que mudou foram as regras, que devido a uma coisa diferente ali, outra aqui, foi unificada (que falta faz uma entidade oficial reguladora no MMA...). Inclusive o Strikeforce tem contrato com uma rede de tv americana que é praticamente arqui-inimiga do careca do UFC, e o mesmo disse que assim como o UFC sempre honrou o contrato de atletas de organizações rivais (é, Dana White, o UFC não rouba nenhum lutador de outra organização, ele vai lá e compra a organização inteira), vai honrar esse contrato do Strikeforce com a tal rede de TV. Questionado se ele apareceria em eventos do Strikeforce daqui em diante, ele respondeu que provavelmente não devido justamente a essa rivalidade entre ele e a rede de TV e que o UFC tem outros três donos que podem fazer esses tipos de negociações com pessoas que o odeiam.

O contra é uma supervalorização da marca UFC que pode fazer com que o UFC se torne maior do que o MMA. O meu maior medo é ver alguém um dia dizendo que "vai ter luta de UFC sábado"... ou então "vou entrar pra academia, quero virar lutador de UFC"... O UFC domina, monopoliza, mas o esporte continua sendo o MMA. Mixed Martial Arts.

Dana White falou também sobre Josh Barnett e Paul Dailey, dois lutadores que ele já disse que nunca mais lutarão no UFC. Barnett por, segundo Dana, ser um péssimo exemplo a jovens atletas e Paul Dailey por uma atitude ridícula em sua última luta no UFC ao desferir um soco no adversário já com a luta terminada. Dana White considerava Paul uma promessa brilhante para sua categoria, mas não perdoa atitudes como essa e disse que o rapaz nunca mais pisará no octonogo e eu não duvido. White confirmou isso tudo e disse que respeitará o contrato de ambos com o Strikeforce, porém assim que o contrato chegar ao fim, não serão procurados para uma renovação.

O careca também afirmou que em respeito aos contratos, não haverá pelo menos nos próximos dois anos combates entre as grandes estrelas do UFC contra as do Strikeforce. Assim que foi anunciado a compra, todo mundo já logo imaginou como seria Fedor Emelianenko lutando contra os pesos-pesados do UFC, mas pode esquecer, por enquanto. White só deixou em aberto a possibilidade de lutadores do UFC lutarem no Strikeforce. Ou seja, aqueles mesmos lutadores que o Strikeforce costumava contratar antes: lutadores em má fase, com várias derrotas consecutivas... que agora podem ganhar uma nova chanche lutando no Strikeforce (abre o olho Minotauro, Paulo Thiago...)

No que diz respeito ao MMA feminino, praticado no Strikeforce e não praticado no UFC: Dana White diz que o problema do MMA feminino é não haver uma categoria forte. Uma grande quantidade de lutadoras tops em uma mesma categoria. E isso é verdade. Para o MMA feminino talvez seja péssima essa negociação.

Em relação aos cinturões... como na fusão com o WEC, os campeões do Strikeforce devem disputar o cinturão com os campeõs do UFC assim que essa papagaiada toda de contrato com TV e contrato dos lutadores com o Strikeforce acabar. Ou seja, daqui uns dois anos... portanto, nem previsão de luta dá pra fazer.

O ponto principal é: eu mesmo mencionei "fusão" algumas vezes nesse texto, mas não foi isso que ocorreu. Serão duas organizações realizando os eventos, porém supervisionadas pelas mesmas pessoas: pela ZUFFA, ou seja, pelo UFC. Talvez daqui dois anos ocorra a fusão oficialmente, mas por enquanto em respeito aos (nunca escrevi tanto essa palavra) contratos pré-estabelecidos, o Strikeforce continuará realizando seus eventos normalmente.

Vale lembrar também que Dana White não revelou números da compra.

Um parágrafo especial para o caso Fedor:

Todos sabem que Dana White sempre quis ter Fedor no UFC. Isso não dá pra negar. Talvez a garnde razão para ele ter comprado o Pride foi isso. Ter o Fedor e de lambuja Minotauro, Wanderlei, Cro Cop, Shogun e etc... Fedor foi o único atleta que até hoje não se rendeu ao contrato do UFC. Dana diz que talvez Fedor não queira se arriscar com os grandes do UFC. Fedor diz que ora o contrato era monetariamente ridículo, ora era ditatorial... como lutar oito vezes em dois anos (muita luta pra um lutador top) e não poder disputar os campeonatos de sambô (arte marcial russa que Fedor pratica). Realmente, o UFC não permite que seus lutadores disputem outros campeonatos, nem nas suas artes marciais, sem ser o MMA. Sobre Fedor, Dana disse o mesmo bla bla bla: Fedor tem contrato com o STrikeforce e com a Showtime (a tal rede de TV), e o UFC como novo dono do Strikeforce, vai honra-los.
Eu tenho certeza que o careca tem uma obsessão pelo Fedor e mesmo com o Fedor em "má fase", ainda vai fazer o russo lutar no octogono.
Aqui um vídeo do Dana metralhando o Fedor e o Strikeforce após os dois anunciarem a contratação do russo:




Abaixo o comentário de alguns lutadores sobre a negociação (fonte: SITE TATAME)


Ryan Couture: “Cacete, que coisa doida”

Miesha Tate: “É verdade que o UFC comprou o Strikeforce? Isso pode ser bom ou ruim para o MMA feminino. Espero que não mude para pior”
Gilbert Melendez: “Zuffa comprou o Strikeforce. Agora sou um funcionário da Zuffa”
Tim Kennedy: “Então, parece que eu agora trabalho pra Zuffa, né? Acho que tem alguns caras do UFC que eu gostaria de enfrentar... Um ou dois, quem sabe”
Daniel Cormier: “Pessoal, nós ainda lutamos no Strikeforce. Se você tivesse ouvido a entrevista direito saberia. Nós não estamos no UFC”
Marloes Coenen “OMG (Ai meu Deus)”
Dan Henderson: “O que eu acho do UFC comprando o Strikeforce e me juntando novamente ao Dana White? Acho que o Dana White está me perseguindo (risos)”
Cung Le: “Ainda não ouvi do Scott Coker, mas ouvi as notícias de que o UFC comprou o Strikeforce. Vamos ver o que vai acontecer. Mas isso é bom para o MMA. Quero dizer bom para os fãs de MMA, talvez os lutadores”
King Mo Lawal: “Não me importa se o UFC comprou o Strikeforce. (Scott) Coker ainda é o meu parceiro. Quero ver como vai ficar tudo depois que eu lutar”


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