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sábado, 5 de março de 2011

Espinha Dorsal - R.E.M.


A discografia do R.E.M., banda americana de Athens, Georgia, começa com o EP Chronic Town, de 1982... nele estão contidas canções que são verdadeiros clássicos do rock alternativo e que foram esquecidas pela banda nos repertórios ao vivo até pouco tempo atrás: Gardening at Night e Carnival of Sorts.




MURMUR (1983)

Murmur, primeiro álbum completo da banda, é a primeira peça dessa espinha dorsal. Considerado pelos críticos como um álbum clássico do rock alternativo e um clássico oitentista, o disco já revela carcterísticas peculiares de cada membro que se perpetuou por toda a discografia da banda: os vocais e/ou letras tristes, ora melancólicos de Michael Stipe, o estilo de Peter Buck na guitarra, despojado e soltando riffs clássicos no álbum como os de Talk About the Passion e Catapult. Os backing vocals e o baixo "gordo" de Mike Mills também se destacam já no primeiro álbum: 9-9 e Pilgrimage, como exemplos. Sitting Still já mostravam a veia pop que ab anda sempre levou consigo. Os grandes hits do álbum foram Radio Free Europe e Talk About the Passion. A balada Perfect Circle é outra que se destaca e deveria ser mais lembrada pela banda ao vivo, até mesmo pelos execelentes vocais de Stipe.

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O segundo disco da banda, Reckoning, de 1984, mostra uma banda já evoluída musicalmente em relação ao primeiro disco, canções como Harbocoat, 7 Chinese Brothers, Pretty Persuasion, Letter Never Sent, Second Guessing e Pretty Persuasion são desse álbum, que tem como grande destaque a canção Southern Central Rain (I'm Sorry).
Fables of the Reconstrution, de 1985, longe de ser ruim, talvez seja o mais fraco disco da banda nos anos 80. A abertura do disco com Feeling Gravity's Pull, Maps and Legends e Driver 8 é maravilhosa.

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LIFES RICH PAGEANT (1986)

O quarto disco do R.E.M. é a segunda peça essencial na discografia da banda. Peter Buck abre o disco com riffs distorcivos em Begin the Begin. These Days mantem o clima rock empolgante do início do disco e abre caminho para a pseudo-balada e clássica Fall on Me, com os clássicos backing vocals de Mike Mills. Cuyahoga tem um climão bem anos 80, parece que veio pra lembrar que ainda é o R.E.M. dos dois primeiros discos. I Believe é uma das mais empolgantes do disco e parece, junto com as duas primeiras, inaugurar a sonoridade típica que o R.E.M. conseguiu nos álbuns seguintes. A rockeira Just a Touch, a acústica Swan Swan H e o cover de Superman do The Clique, são as outras que fazem co que esse disco para mim seja um clássico na discografia dos caras.


DOCUMENT (1987)




Em seu quinto disco, o R.E.M. começou a virar o que é hoje: uma das grandes banda snão só do rock alternativo, mas da música, do rock em si. Iniciando uma parceria vitoriosa com o produtor Scott Litt, o R.E.M. alcançou o "mainstream" com clássicos eternos como The One I Love e It's the End of the World As We Know It (And I Feel Fine). A abertura do álbum ainda tem a distorção de Peter Buck (que a cada disco pareceu gostar mais disso) em Finest Worksong, que conta ainda com os clássicos backings de Mills. Outra coisa que já parece repetitiva nesse ponto do texto, imagina ainda quantos álbuns faltam... Disturbance at the Heron House é a minha canção favorita do álbum, que ainda tem como destaque Welcome to the Occupation, Exhuming Mccarthy, canção de protesto político contra um senador americano da época, tema que a banda sempre explorou, e o cover do Wire, Strange, que ficou muito boa.


GREEN (1988)




Sexto disco da banda, o primeiro pela major Warner depois do estouro comercial do álbum anterior, Green foi o mais rockeiro disco da banda até então. E inaugurou uma sequência de discos clássicos da banda, uma sequência que poucas bandas conseguiram até hoje. Em contrapartida de ser o mais rockeiro, também foi o primeiro onde Peter Buck começou experimentações com o mandolin em canções como The Wrong Child, Hairshirt e You Are the Everything. Outros clássicos fazem parte desse disco: Pop Song 89, Get Up, World Leader Pretend e os hinos Stand e Orange Crush. Turn You Inside-Out também merece destaque.






OUT OF TIME (1991)

Esse é o disco que tem o mega-hit Losing my Religion. Talvez não precisasse dizer mais nada, mas fora ter o maior sucesso comercial da banda, é um grande disco. Aqui, Peter Buck esqueceu um pouco a distorções, se concentrou nos sons mais limpos e isso gerou grandes canções pops como Near Wild Heaven, Texarkana (as duas com participação maior que o normal de Mike Mills no vocal), Me In Honey e o outro mega-hit do disco Shinny Happy People (trilha sonora até do Tropa de Elite...). A insrumental Endgame, a surpreendente Belong (que Michael canta como se estivesse narrando, onde ele mostra o que ele mesmo diz: tem a voz triste, se ler a lista telefônica é capaz de fazer uma pessoa chorar), e a calma Half a World Away (Peter e seu mandolin again) são das canções mais bonitas que o grupo já fez. Mas a minha favorita do álbum é mesmo a Country Feedback, que é emocionante do início ao fim. Radio Song é outra famosa e que tem uma melodia muito legal. O único ponto fraco para mim é Low, que é chata demais.


AUTOMATIC FOR THE PEOPLE (1992)

No disco anterior, Buck se livrou um pouco das distorções e usou temas mais limpos. No disco seguinte, o clássico Automatic For The People, Buck resolveu se livrar até dos mais limpos. É um disco mais acústico e com a volta das distorções apenas nos "grandes momentos" das canções. Manja o esquema estrofe acústico-crescendo-refrão distorcivo? Drive, o primeiro clássico do álbum, abre o mesmo assim. Acústica, com distorções e solos durante o refrão. Try Not to Breath é um tema calmo, de muito bom gosto com melodias bonitas e os violões de fundo comandam a canção. The Sidewinder Sleeps Tonite é, talvez o maior "rock" do disco, e ainda assim passa longe de ser pesada como temas do álbum Green, por exemplo. Um dos maiores clássicos do R.E.M. é desse álbum: Everybody Hurts, balada que pode fazer qualquer um cair em lágrimas e dispensa maiores comentários sobre a letra e a canção em si. Outro dos grandes hits da banda também está aqui: Man on the Moon, sobre o comediante anti-heróico Andy Kaufman, que anos depois teve um filme estrelado por Jim Carrey com a trilha sonora da banda. O encerramento do álbum é um dos mais belos que já ouvi, simplesmente as, talvez, duas mais bonitas baladas da banda: Find the River, com seu refrão emocionante, e Nightswimming, com Michael no vocal e Mike Mills no piano deixando todo mundo arrepiado de tanto bom gosto. Definitivamente o R.E.M. conseguiu fazer um dos melhores discos de rock com duas ou três canções de rock no álbum todo.


MONSTER (1994)



Se Peter Buck havia esquecido as distorçõe nos dois discos anteriores, aqui ele compensou. Disco mais rockeiro do R.E.M., Monster veio para lavar a alma depois de um disco pop e um disco soturno, cheio de baladas. Aqui até as baladas são com distorções, sujas, como Strange Currencies, minha favorita do álbum junto com a clássica What's the Frequency, Kenneth?, que me fez dar pulos de alegria ao ver Peter Buck começar o riff dela assistindo o Rock in Rio 3 em 2001.
Crush With Eyeliner, I Took Your Name, Let Me In e Star 69 são outros grandes clássicos desse disco. Não tem nenhuma canção limpa, nenhuma acústica. Durante muito tempo foi meu disco favorito do R.E.M.


NEW ADVENTURES IN HI-FI (1996)



Hoje em dia, esse é o meu álbum favorito do R.E.M. A banda conseguiu unir o climão do Automatic For the People com a distorção do Monster e criou seu disco mais maduro. Tenho uma teoria que aqui o R.E.M. atingiu seu ápice. Não digo que não teve mais discos bons, porque tiveram, como veremos mais abaixo, porém aqui é como se a banda tivesse encerrado um ciclo que começou timidamente no Lifes Rich Pageant, começou de fato no Green e terminou aqui. Daqui pra frente, vale tudo, experimentações, sons novos, sonoridades novas. A banda já atingiu o ápice de uma banda.
How the West Was Won and Where It Got Us abre o disco, era a minha favorita quando criança, e inesperadamente é a mais calma do disco, com batidas quase eletrônicas, um piano fazendo acordes simples mas bonitos de fundo, e Michael quase recitando com sua voz triste. Na segunda faixa, para contradizer a primeira, uma das mais rocks, The Wake-Up Bomb, que junto com Departure, Binky the Doormat, Undertown e So Fast So Numb fazem o lado sujo, o lado pesado, o lado Monster do álbum. A emocionante New Test Leper, a soturna E-Bow The Letter, a pseudo-rockeira Bittersweet Me, a balada Be Mine e o encerramente com Electrolite formam a parte mais Automatic For the People do álbum.

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Após essa sequência de sete clássicos álbuns, o baterista Bil Berry deixa a banda após sofrer de um aneurisma. A banda não substituiu o baterista oficialmente já que existia um pacto entre eles de se um membro saísse, o mesmo não seria substituído oficialmente por outro membro na banda, e sim seria contratado um músico para gravações e turnês. Ainda com o clima triste a banda resolveu experimentar no novo disco. Lançado em 1998, Up traz o R.E.M. de mãos dadas com temas eletrônicos, um disco que foi estranho de ouvir na época, demorei para me acostumar, mas hoje em dia vejo uma boa quantidade de clássicos ali: At My Most Beautiful (linda letra), Walk Unafraid, Daysleeper, Sad Professor, The Apologist e Lotus. Depois de três anos, já longe das experiências eletrônicas e depois de visitar o Brasil pela primeira vez, o R.E.M. aparece, em 2001, com Reveal, onde colocou na sua história mais um grande hit: Imitation of Life. I'll Take the Rain, All the Way to Reno e She Just Wants to Be são outros destaques de um álbum que volta - mais ou menos - à sonoridade do disco Out of Time: sem distorção, temas limpos de guitarra, clima pop. Em 2004 a banda lança o, para a maioria dos fãs, seu disco mais fraco: Around the Sun. De fato, nenhum hit desse álbum ficou para a história da banda apesar de particularmente curtir muito as canções Leaving New York e The Outsiders. Se foi proposital ou não, a tentativa de um disco mais acústico, parecido com o Automatic For the People, foi falha. Em 2008 veio Accelerate para alívio dos fãs um disco de rock que fez todo mundo esquecer o quase-fiasco do disco anterior. Accelerate tem a mesma pegada de monster: disco de rock sujo, com distorção suja até em balada e inaugura um novo tipo de rock que o R.E.M. faz: diferente dos temas pesados de Monster e New Adventures In Hi-Fi, os rocks do R.E.M. vem sendo canções mais rápidas, tanto em velocidade quanto na duração. Accelerate é um disco de onze canções que não chega a 35 minutos de duração, enquanto Monster com doze faixar beira os 50 minutos e New Adventures chega a quase uma hora e dez minutos. Os destaques do disco são: Living Well is the Best Revenge, Man-Sized Wreath e Supernatural Superserious.


COLLAPSE INTO NOW (2011)

O novo, décima-quinto, disco do R.E.M. será lançado daqui alguns dias, ainda em março, no dia 08. Mas sabe como é, né.. com a internet e tudo mais, já tenho o disco pra ouvir no computador há alguns dias e já escutei o disco e algumas canções separadas um número suficiente de vezes para poder dizer que é o melhor disco desde o New Adventures In Hi-Fi.
Discoverer traz a banda num clima meio Green, pela timbragem da guitarra e o jeito de Michael Stipe cantar. All the Best, Mine Smell Like Honey, Alligator Aviator Autopilot Antimatter e That Someone Is You mostram aquele lado da banda que eu mencionei acima: o novo rock que o R.E.M. está fazendo desde Accelerate: canções rápidas na velocidade e duração, sem perder o clima "alegre". Os backing vocals de Mike Mills dão o tom de It Happened Today e as baladas Oh My Heart (lá vem o mandolin!) e Walk it Back, junto com a irmã mais nova de Country Feedback (de Out of Time) chamada Blue, que encerra o disco, são as minhas favoritas do disco.

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Essa foi a espinha dorsal da discografia do R.E.M., na minha opinião. E agora listo os discos destacados numa ordem que eu indicaria para alguém que quer conhecer melhor o som do R.E.M.

1) New Adventures in Hi-Fi
2) Automatic For the People
3) Green
4) Monster
5) Document
6) Lifes Rich Pageant
7) Out of Time
8) Collapse Into Now
9) Murmur

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