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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Classics Live: Alchemy Live - Dire Straits

Eu adoro discos ao vivo... e tenho sorte da maioria das minhas bandas favoritas do coração lançarem (ou terem lançado) uma média boa de discos ao vivo. O Rush, por exemplo, lançava um disco ao vivo a cada quatro discos de estúdio, e dos anos 2000 para cá lança após cada disco de estúdio um ao vivo. O Iron Maiden é outra que sempre comparece com ótimos álbuns ao vivo.

Tenho, na minha... "história de vida"... dois álbuns ao vivo que me marcaram demais. Um é o "Live After Death", do Iron Maiden, não só por ser um dos mais clássicos discos "live" da história do heavy metal, mas porque foi o primeiro disco de heavy metal que eu escutei e onde me apaixonei pela banda, pelas músicas e pelo estilo. O outro é o tema desse post:





Trata-se de Alchemy Live (1984), primeiro disco ao vivo do Dire Straits, gravado no clássico Hammersmith Odeon, em Londres, onde já foi gravado uma histórica lista de discos ao vivo.
Quando eu era criança, moleque mesmo, pivete, com uns oito ou nove anos de idade, uma das minhas aventuras mais perigosas era mexer nos E escutar os discos de vinil do meu irmão enquanto ele ia trabalhar, ou estudar e etc. Depois de muito escutar os discos do Dire Straits dele, um dia eu estava na locadora para alugar uns jogos de Mega Drive, quando vi na seção musical uma imagem conhecida. A mesma imagem acima, era o VHS de Alchemy Live, a versão em vídeo do show do disco. Claro que eu aluguei pra fazer uma média com o meu irmão, né. Quando eu pus pra assistir, lembro que logo na primeira canção, "Once Upon a Time in the West", meu irmão fala: "esse aí, ó, é o melhor guitarrista do mundo". Claro que hoje em dia, eu sei que essas opiniões sobre o "melhor isso" e "melhor aquilo" são coisas bem pessoais, mas naquela época, como criança, tomei aquilo como verdade absoluta... e depois de velho, já sabendo formar minha própria opinião, pra mim Mark é TOP 3, às vezes ele é meu favorito, "o melhor do mundo", outras vezes são outros.

Considero esse disco como um registro da melhor época do Dire Straits e da melhor formação que a banda teve: Mark Knopfler (vocal e guitarra), John Illsley (baixo), Alan Clark (teclados), Terry Williams (bateria), Hal Lines (guitarra), com a ajuda dos músicos de apoio: Mel Collins (sax), Tommy Mandel (teclados) e Joop de Korte (percussão).

As canções vinham sendo amadurecidas ao vivo desde a turnê do segundo álbum da banda, em 1979. Escutando bootlegs das turnês de 1979 e 1980, percebe-se a fase de transição das canções para chegarem ao seu ápice, que foi na turnê de 1982/83, em que foi registrado esse disco ao vivo.
"Once Upon a Time in the West", já mencionada abertura do álbum, com seus mais de dez minutos de duração, mais swingada e improvisada que a versão original que tinha pouco mais de cinco minutos. "Expresso Love" ficou bem mais empolgante ao vivo, e vindo depois de uma primeira faixa mais cadenciada, dá uma agitada no disco. Aí vem o primeiro grande hit, "Romeo & Juliet", sempre emocionante a interpretação de Mark nessa canção. "Private Investigations", uma canção obscura e que, por alguma razão, de certa maneira, é hit entre os fãs dá sequência ao disco um do álbum, que fecha com uma versão magistral de "Sultans of Swing", mais rápida que a original, com algumas linhas vocais diferentes da original, um pique muito mais rock 'n' roll que a original e, de fato, muito melhor que a original, além de uma performance arrepiante do baterista Terry Williams, isso sem mencionar nos solos improvisados de Mark Knopfler que se arrastam sem soar nem um pouco maçantes durante toda a canção. Épica essa versão, minha favorita desde sempre.
O disco dois abre com "Two Young Lovers", música que faz parte de um EP com quatro canções que a banda lançou em 1983, chamado "Twisting by the Pool". É um rock 'n' roll onde destaca-se a atuação do saxofonista Mel Collins. Aqui começa a sequência final do disco, primeiro vem o clássico "Tunnel of Love", com sua longa introdução "The Caroulsel Waltz", onde Alan Clark detona. Aliás, é nessa parte do disco que a presença de Alan Clark é mais marcante. Depois de "Tunnel of Love" que também ficou melhor que a original, vem "Telegraph Road", um épico, quase progressivo, em que Alan e Mark são os grandes nomes. E aqui em "Telegraph", Mark faz, na minha opinião, seu solo mais fantástico. Pra mim o solo de "Telegraph Road" está para Mark Knopfler assim como o "Comfortably Numb" está para David Gilmour. "Solid Rock", como o próprio nome diz, a canção mais 'rock' do repertório vem para não deixar pedra sobre pedra. Para finalizar, a instrumental "Going Home", canção que Knopfler fez para a trilha sonora de um filme e acabou virando tema obrigatório no final dos shows do Dire Straits. Quem está mais acostumado com o show "On the Night" conhece essa canção pelo nome de "Local Hero", que de fato é a versão lenta e só com guitarra da canção, aqui é a "Going Home", tem a banda toda em um crescendo muito legal de ouvir, chegando a um final épico. Mais épico ainda em vídeo que enquanto a banda vai tocando, os roadies vão tirando os equipamentos do palco.

A versão em cd foi lançado com uma canção a mais no CD 1: "Love Over Gold", numa versão mais compacta e por que não, mais legal que a original também.
Nessa turnê foram executadas outras canções que por alguma razão obscura não foram parar nem no álbum, nem no vídeo, nem no lançamento em cd: "Industrial Disease", que era a segunda canção do show, antes de "Expresso Love". "Twisting by the Pool" era tocada logo após "Sultans of Swing", e "Portobello Belle" que vinha antes de "Tunnel of Love". Mantinhamos esperança que quando o vídeo fosse lançado em DVD e Blue-Ray, que talvez guardasse uma surpresa para os fãs incluindo essas canções também, mas o lançamento ocorreu e é tudo igual a versão em VHS. Uma pena... mas tanto o vídeo, quanto o disco continuam, na minha opinião, indispensáveis.

Abaixo, a versão fantástica de "Sultans of Swing" desse disco.


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