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domingo, 30 de janeiro de 2011

Dica da semana: Guidable - A História do Ratos de Porão

Assisti ontem o documentário lançado pelo Ratos de Porão, Guidable, que conta a história da banda nas palavras, às vezes, extremamente sinceras dos atuais e ex-membros da banda, e amigos (incluindo membros e ex-membros do Sepultura, e lendários companheiros da cena punk de São Paulo).
Acho que o documentário mostra bem porque o Ratos de Porão acabou se tornando a maior banda daquela cena. Nas palavras do próprio João Gordo, ainda no início dos anos 80, entre o primeiro e o segundo álbum, ele só estava indo aos shows de metal porque "não tinha briga, e as mulheres que tinham eram mulheres bonitas... e nos shows punks só tinha briga, não tinha um show que a polícia não descia, e as mulheres eram todas feias", HAHAHAHA. E o descontentamento que tiveram com bandas como Discharge e English Dogs, quando essas viraram "metal", acabou, na verdade, sendo o pontapé inicial para eles começarem a fazer o crossover que fazem até hoje. Além desse pontapé inicial, outro tema bastante mostrado no documentário foi quando João Gordo conheceu a molecada do Sepultura. Gordo leu uma entrevista do Sepultura num jornal de BH, dizendo que o Ratos de Porão era a melhor banda do Brasil, e gordo pensou: "bom, se eu sou da melhor banda do Brasil, eles vão me descolar backstage do show Venom & Exciter que eles vão abrir". E assim nasceu essa amizade que dura até hoje. Ainda sobre isso, Igor diz em certa cena: "uma banda estragou a outra, nós levávamos discos de metal pra eles ouvirem, eles nos traziam discos de punk".
Foi nessa época que num show do Ratos em BH a banda convidou o Sepultura pra tocar algumas canções (só o Sepultura, sem o pessoal do Ratos) e esse show foi na mesma noite que Andreas Kisser estava indo de SP para BH, para se juntar ao Sepultura, o guitarrista diz: "se eu tivesse pego o ônibus um dia antes, meu primeiro show com o Sepultura seria esse momento histórico". Max, no show, diz no microfone: "pela primeira vez uma banda de metal tá tocando com uma banda punk, e isso tá acontecendo aqui, BH". E quem viveu ou conhece a história na época, sabe que isso em outros lugares era uma cena impossível de imaginar.
João Gordo ainda diz: "nosso primeiro show em BH foi pra um público headbanger, foi a primeira vez que a gente tocava pra cabeludo e a primeira vez que a gente viu todo mundo bangeando. A gente dava risada em cima do palco", e Jão, guitarrista, completa: "a banda só cresceu mesmo, só ficou grande, quando o público do metal começou a conhecer a gente".
A banda mostra certo descontentamento com alguns álbuns de sua discografia também, entre eles Descanse em Paz e Anarkophobia, clássicos, e Just Another Crime... In Massacreland.
Um segundo ponto de muita sinceridade foi o envolvimento com drogas realmente pesadas, como vício em crack, que levou à saída de um dos baixistas da banda.
Outros temas interessantes foram como, sem papas na língua, falaram sobre a saída de alguns dos ex-integrantes, e as doidas turnês pela europa no auge do vício pelas drogas dos integrantes.
Um tema que eu achei que ia gastar mais tempo foram os problemas de saúde de Gordo e sua operação na década de 2000, mas o assunto foi tratado da maneira correta: rápida e sincera.

Enfim, um documentário honesto, sincero de fato, e acho que... não digo obrigatório... mas REALMENTE INDICADO até pra quem não gosta da banda e, principalmente, para aqueles que gostam de cena punk brasileira e paulista, e, claro, para os headbangers from hell. Afinal, até hoje eu não conheci um cara do "déti" metal que não curta Ratos de Porão.

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