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sábado, 11 de setembro de 2010

MMA - Mixed Martial Arts / Vale-Tudo

Hoje o Anderson Silva foi ao Legendários... decidi dar mais uma chance ao programa e assistir. Já na introdução da matéria o Mion, que é um grande fã do esporte, me solta algo como... "MMA é a famosa Luta Livre" e bla bla bla... #PorraMion!
Luta livre é uma coisa, MMA é outra. A associação à Luta Livre é feita principalmente em relação ao termo "Vale-Tudo". Para o brasileiro, não conhecedor de luta, Vale-Tudo e Luta-Livre são a mesma coisa. Errado e muito errado.
Luta Livre, aqui no Brasil, pode ser várias coisas, menos MMA e Vale-Tudo. Luta Livre é o nosso "wrestling". "Wrestling" é aquilo que, nas Olimpíadas, nossa imprensa chama de "luta Greco-Romana". Luta Livre aqui pra nós também é sinônimo daquelas lutas arrumadas, tipo Telecatch, popular demais nos EUA, chamada de WWE.

Vale-Tudo é o termo que utilizamos para o MMA (nome posterior, criado nos anos 2000) desde a década de 10 ou 20, quando algum Gracie desafiava ou era desafiado para a luta, uma luta sem regras de tempo, valendo tanto técnicas em pé, quanto no chão... era chamado de "Vale-Tudo" tanto pelos lutadores, quanto pela imprensa.
Quando o esporte se popularizou além daqui, com a criação do UFC (por um Gracie) nos EUA, o esporte continuou sendo chamado por esse nome, em português mesmo. Era muito comum no Japão dos anos 90, eventos com todas aquelas letrinhas em japonês e no meio estava lá escrito "Vale-Tudo".

No início o UFC não tinha as categorias e nem limites de tempo. O UFC foi criado por Rorion Gracie para mostrar a eficiência do Jiu-Jitsu contra lutadores de outros estilos independente de peso e tamanho. Na época, deu certo, Royce Gracie foi tricampeão do evento e abandonou o UFC quando o mesmo passou a ter limite de tempo. Alguns anos depois, passaram a existir as categorias de peso.

Quando Dana White e a Zuffa compraram o UFC em 2001, começaram uma jornada de globalização do esporte e foi aí que o termo MMA - Mixd Martial Arts, começou a ser propagado e hoje praticamente ninguém mais fala em "vale-tudo", exceto os "das antigas" que já se acostumaram com o termo.
Esse domínio do UFC e essa globalização do "UFC way of life" no esporte só demorou a pegar porque existia no Japão um negócio chamado PRIDE.

O Pride FC foi um evento de MMA que existiu no Japão, se eu não me engano (admiro textos com datas certas, mas nos meus, gosto de puxar a memória e exercitar a mesma) de 1997 a 2007... enquanto o Pride existiu, ele foi o maior evento de Vale-Tudo/MMA do mundo.
Para esses fãs que estão se acostumando e conhecendo o esporte agora, o UFC só é o que é hoje, porque em 2007 comprou o Pride dos japoneses e simplesmente acabou com o evento. Trouxe boa parte dos atletas do Pride pro UFC e desde então os japoneses ficaram sem o seu grande evento, tendo hoje o DREAM que é parecido com o Pride, mas não tem o mesmo charme.

Outra coisa que diferenciava o Pride do UFC, e fazia até com que o Pride fosse mais popular, eram as regras do evento e as lutas freak, além de que praticamente todos os lutadores tops estavam no Pride, restando ao UFC, de top, somente nomes como Liddell, Ortiz e Bj Penn sendo que o primeiro, chegou a lutar no Pride, emprestado para representar o UFC em um GP, onde perdeu.

Um dos detalhes mais essenciais, o Pride era lutado em ringue, o UFC é em octogono.

No Pride eram permitidos os pisões e tiros-de-meta... acho que são auto-explicativos. Regras que eu achei maravilhoso o UFC ter posto um fim. Pra mim MMA é o que é: Mistura de Artes Marciais. E eu não conheço arte marcial com pisão e tiro-de-meta. No UFC, como já disse, não podem esses golpes, assim como também não pode joelhadas contra lutador de três ou quatro apoios, golpes na nuca e todo tipo de golpe baixo. No Pride não eram permitidas as cotoveladas na luta de chão, no UFC pode se não for de cima pra baixo (com a ponta do cotovelo direto não pode, só com o "lado do braço", não sei os termos técnicos). Essa talvez seja a regra mais polêmica - aliás, a única - hoje em dia. Muitos lutadores, como o Vítor Belfort, já afirmaram que são contra as cotoveladas no chão.

As chamadas "lutas freak" eram lutas entre lutadores muito "grandes"... muitas vezes um lutador "top" era testado contra um lutador que não era "top", mas pelo seu tamanho e força podia ser um grande desafio. Duas lutas clássicas dessas freak ficaram muito famosas. A do brasileiro Minotauro contra o gigante Bob Sapp, um ex-jogador de futebol americano que pesava 170KG, contra o nosso baiano pesando seus 105,107KG... Minotauro apanhou, apanhou, apanhou, e no final, como sempre, usou seu jiu-jitsu pra finalizar o americano com um armlock.
Outra foi do russo Fedor contra o brasileiro Zuluzinho. Não tenho os dados do Zuluzinho, mas ele, comc erteza, era ainda mais pesado que o Bob Sapp. Fedor deu logo dois knockdowns (quando acerta um golpe tão forte que o adversário cai) e ganhou com um nocaute técnico no ground 'n' pound. Minotauro também lutou contra Zuluzinho e venceu por armlock.
No UFC esse tipo de luta é inimaginável. O UFC nunca casaria lutas freaks. E por mais que elas sejam legais para o público, eu acho melhor assim.

Com a aquisição do Pride, o UFC dominou o mercado do MMA e se tornou o grande objetivo de todos os lutadores. O que era antes "conquistar o Japão", hoje é "conquistar a américa". Exceto talvez para Fedor Emelianenko, mas isso é assunto pra outro post.
Hoje as regras e o octogono são adotados quase como "regra mundial", é como se o UFC fosse uma espécia de "Federação Internacional de MMA"... Ainda há algumas resistências. Em alguns países, as lutas ainda são feitas em ringues, mas com as mesmas regras do UFC. Até mesmo no Japão, onde o DREAM tenta manter a chama do PRIDE acesa, já está começando a fazer eventos em octogono.

Apesar de ser um fã do Pride, acho que... é como Lennox Lewis postou em seu twitter recentemente ao comentar a primeira luta de MMA do lutador de boxe James Toney: "lutadores de boxe pertencem ao ringue, lutadores de MMA ao octogono. Cada um deve saber seu lugar".
Por mais que o Pride tenha popularizado o MMA no ringue, é época de concretizar essa "regra universal" e todos os eventos adotarem o octogono e as regras do UFC.
É mais fácil pros fãs, que podem assistir a todos os eventos sabendo o que pode e o que não pode, e para os lutadores que não precisam sofrer com reflexos na hora da luta, como acontecia com os lutadores do Pride que foram pro UFC. Em determinados momentos da luta, quase soltavam joelhadas em lutador de quatro apoios, porque no Pride podia. Dava pra ouvir o córner dos caras gritando o tempo todo: "NO KNEES, NO KNEES!" , HAHAHA

Qualquer lutador de qualquer arte marcial pode tornar-se um lutador de MMA, basta treinar os fundamentos básicos do esporte. Como eu disse no começo do post, no começo do UFC, era mais uma disputa entra estilo A x estilo B. Geralmente todos queriam ver o Jiu-Jitsu contra o resto. Naquela época não interessava pro lutador de jiu saber lutar em pé, nem pro lutador de boxe saber lutar no chão. Era cada um defendendo sua arte. Hoje é ESSENCIAL o lutador saber lutar em pé e no chão. Temos lutadores de vários estilos no MMA e no UFC... Lyoto Machida, brasileiro, por exemplo é um lutador de Karatê. Roy Nelson é um lutador de Kung Fu.
Mas quatro arte marciais são hoje a base do MMA e independente de onde o cara vem, ele tem que saber os fundamentos:

Jiu-Jítsu: luta de solo. Sem socos e chutes. No MMA é usado pelos seus principais nomes para finalizar as lutas. As finalizações do Jiu-Jitsu são através de estrangulamentos, alavancas e torções. Alguns grandes Representantes no MMA: Rodrigo Minotauro, Demian Maia, Frank Mir, BJ Penn, Fabrício Werdum e qualquer um com o sobrenome "Gracie"

Wrestling: a lutra greco-romana. A luta olímpica. A luta livre. Os caras são especialistas em derrubar e não ser derrubados. Os wrestlers foram os "inventores" do Ground 'n' Pound no MMA, que é o "derrubar e bater". Derrubam, ficam por cima e batem. As quedas e defesas de quedas do wrestler são mais apuradas que as do Jiu-Jitsu, por isso tudo o que um lutador de Jiu-Jitsu mais precisa hoje em dia é aliar sua técnica de finalizações com as técnicas de queda do wrestling. Alguns grandes Representantes no MMA: Brock Lesnar, Randy Couture, John Fitch

Boxe: dispensa apresentações. Luta em pé com trocação de socos e apenas socos. Os golpes são permitidos na parte fronta do adversário e acima da cintura, como no rosto e abdome. São usados apenas os punhos. Alguns grandes Representantes no MMA: Junior dos Santos, Vítor Belfort

Muay Thai: também luta de trocação em pé, como o boxe. Porém o boxe tailandês (Muay Thai) é mais abrangente que o tradicional e aborda além dos socos, as cotoveladas, as joelhadas e as caneladas. São as armas mortais do Muay Thai. Outra técnica muita usada, principalmente por brasileiros como Wanderlei Silva e Anderson Silva é a técnica de clinch do Muay Thai, onde se prende a cabeça do adversário com as mãos e o acerta com joelhadas. Alguns grandes Representantes no MMA: Wanderlei Silva, Anderson Silva, Maurício Shogun


Como dito, o lutador pode vir de qualquer arte marcial, mas é essencial treinar ao menos três dessas quatro. Jiu-Jitsu e wrestling são obrigatórios, porque a primeira é a única luta de chão, e a segunda luta é a única que foca nas quedas. Ou seja, se o cara não quer luta de chão, ele tem que treinar wrestling pra treinar defesa de queda. Se o cara quer luta de chão, ele tem que treinar wrestling para treinar a quedar. E o Jiu-Jitsu porque mesmo que o cara não queira lutar no chão, se ele lutar contra alguém que sabe quedar bem, a luta pode ir pro chão e no chão ele tem que saber se defender e até, quem sabe, finalizar, treinando o jiu-jitsu. Nas lutas de trocação, geralmente quem vem de outras lutas em pé, como Karatê ou Kickboxing, dão atenção ou ao boxe, ou ao Muay Thai. O important é treinar alguma das duas.


Hoje em dia o UFC, omo se sabe, é o maior evento do mundo de MMA e dita as regras. Outros grandes eventos são o Strikeforce, que ganhou muita força com a contratação do Fedor Emelianenko, e de ex-UFC's como Dan Henderson. O Dream é a força no Japão, ainda longe de ser forte como o Pride. Tem o Sengoku que por ter cards quase 100% com lutadores japoneses, faz com que o "resto do mundo" ainda não tenha pegado o gosto pelo evento. O maior evento do Brasil e da América Latina é o "Jungle Fight", idealizado e criado por Wallid Ismail, faixa-presta de Carlson Gracie e ex-lutador de MMA, já tendo lutado no Pride e no UFC. O Jungle cresceu muito de uns anos pra cá, trazendo lutadores de fora, e pretendo fazer suas primeiras disputas de cinturão no final do ano. Wallid mantem uma boa relação com os cartolas do UFC, que foram inclusive os que aconselharam a Wallid a criar os cinturões porque ficaria mais fácil contratar alguém daqui para lá que fosse o campeão do evento. Há também o Bitteti Combat, criado por Amaury Bitteti, outro faixa-preta de Carlson Gracie e ex-lutador de MMA. O Bitteti ainda precisa se firmar, no dia 12 de setembro do ano passado, há um ano, fez sua maior edição no Rio de Janeiro, com lutas de ex-astros do PRIDE como Ricardo Arona, Paulo Filho e Murilo Ninja, além de presenças de ilustres globais na platéia e até cobertura de humorísticos como Pânico. Porém de lá pra cá, algumas acusações de não-pagamento de bolsa a alguns atletas (o que segundo li, já foram resolvidos há um bom tempo) e a falta de eventos regulares fez com que o evento saísse um pouco da mídia especializada. São os dois maiores eventos brasileiros.

Hoje, com a transmissão das lutas do UFC pelo programa UFC Sem Limites, aos sábados na Rede Tv!, o esporte está se popularizando aqui no Brasil. Aliás, está crescendo muito rápido, nos EUA já é uma realidade estabelecida, o UFC vence praticamente todos os esportes no Pay-Per-View por lá. Só não pode cometer o mesmo erro que uma jornalista da Rede Tv cometeu num dos primeiros programas quando en trevistou o Lyoto Machida, perguntando ao então campeão se "algum dia há chances do UFC virar um esporte olímpico". Vamos lá, antes de virar esporte olímpico, os fãs tem que saber que UFC é uma ORGANIZAÇÃO de MMA, e o esporte chama-se MMA e não UFC. Esse talvez seja o único problema desse domínio mundial do UFC. Tratam o UFC como o esporte em si.


Então vamos lá, repassando essas regras do UFC que tendem a se tornar regra universal do MMA daqui pra frente:

Categorias:
Leve - até 70kg
Meio-Médios - até 77kg
Médios - até 84kg
Meio-Pesados - até 93kg
Pesados - até 120kg

Rounds:
- 3 rounds de cinco minutos
- 5 rounds de cinco minutos para disputas de cinturão
- 1 minuto de descanso entre um round e outro
- sistema de pontuação de 10 para o vencedor e 9 ou menos para o perdedor do round

Formas de vencer:
1 - Finalização por:
- Desistência: o lutador dá três tapinhas quando é pego em algum golpe do jiu-jitsu, sinalizando sua desistência
- Verbal: ele comunica ao juíz que não consegue mais lutar
- Técnica: em algum estrangulamento, o cara pode não dar os três tapinhas e apagar. O juíz é o encarregado de verificar se o lutador está "acordado" ou não. Percebendo que o lutador "dormiu", o juiz encerra a luta
2 - Nocaute técnico por:
- numa situação em que o lutador está sofrendo muitos golpes sem conseguir se defender inteligentemente, o juiz deve parar a luta e decretear o nocaute técnico
- Lesão: lutador lesionado durante a luta tem a derrota caracterizada como nocaute técnico
3 - Decisão dos juízes de mesa por:
- Unânime: os trÊs juízes definem o mesmo lutador como vencedor
- Dividida: dois juízes escolhem um dos lutadores, e o terceiro juiz escolhe o outro lutador como vencedor
- Majoritária: dois juízes escolhem o mesmo lutador como vencedor, o terceiro juiz dá a luta como empate
4 - Decisão técnica:
- quando o médico que analisa o lutador entre os rouns define que ele não pode mais lutar
- quando a equipe do lutador joga a toalha branco no meio do octogono sinalizando a desistência
5 - Desqualificação:
- quando um lutador comete faltas o suficiente para ser desqualificado pelo juíz
6 - Abandono:
- a toalha branca.
7 - Sem resultado:
- quando acontece algo que faz com que a luta não tenha resultado. Derepente um corte acidental faz com que o lutador não possa mais continuar lutando, e a luta termina como "No contest" e pode ser remarcada, ou não.

Não são permitidos:
1 – Dar cabeçada.
2 – Colocar o dedo nos olhos do adversário.
3 – Morder.
4 – Puxar o cabelo.
5 – Enfiar os dedos na boca.
6 – Qualquer golpe na virilha.
7 – Colocar o dedo em qualquer orifício ou qualquer tipo de corte ou machucado do oponente.
8 – Manipular as juntas.
9 – Golpear espinha ou a nuca do oponente.
10 – Lançar cotoveladas de ponta.
11 – Golpear a garganta de qualquer forma, incluindo, apertara a traquéia.
12 – Agarrar, beliscar ou retorcer a pele do oponente.
13 – Golpear a clavícula do adversário.
14 – Chutar a cabeça de um oponente caído .
15 – Dar joelhada na cabeça de um oponente caído.
16 – Pisar em um oponente caído.
17 – Chutar os rins com o calcanhar.
18 – Arremessar um oponente na lona de cabeça ou de pescoço.
19 – Arremessar o oponente para fora do local de combate ou da área cercada.
20 – Segurar os shorts ou luvas do oponente.
21 – Cuspir no oponente.
22 – Adotar uma conduta anti-desportiva que possa causar algum tipo de lesão no oponente.
23 – Segurar nas cordas ou grades.
24 – Usar linguagem abusiva e imprópria na área de combate ou das grades.
25 – Atacar o oponente durante o intervalo.
26 – Atacar um oponente que está sob cuidados do juiz/árbitro.
27 – Atacar um oponente depois que o gongo soar marcando o final do período de combate.
28 – Desrespeitar as instruções do árbitro.
29 – “Amarrar a luta”, evitar contato com o oponente intencionalmente, constantemente deixar o protetor bucal cair, fingir uma lesão.

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