Páginas

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Beyond the lighted stage!

O novo dvd do Rush, título deste post, é um documentário sobre a história da banda feita pelos diretores Sam Dunn e Scot McFadyen, que já haviam dirigido outros longas para o publico do "rock", os excelentes "Metal: a Headbanger's Journey" e o documentário da turnê do Iron Maiden chamado "Flight 666". Tem ainda um chamado "Global Metal", que ainda não tive oportunidade de assistir.

Chegou a ser apresentado no cinema, aqui no Brasil também, antes de ser lançado oficialmente, em uma única data.

O que eu mais gostei ao assisti-lo foi que é um documentário direto, sem firulas e informações no meu ponto de vista) desnecessárias para quem simplesmente queria ver os três músicos contando a história da banda... no começo você pode até achar estranho que eles consigam contar tudo, de 1968 até hoje em 'apenas' uma hora e meia. Após o fim você entende como.

Não teve, digamos, 'ladainha', não tiveram informações do tipo... "ah, em março de 19xx Geddy Lee se casou"... "ah, em julho de 19xx, nasceu a filha do meio de Alex Lifeson"... foi tudo puramente pela música e pela banda. Inclusive algumas informações que seriam legais ter no filme foram limadas também, como a "road to Rush" do Neil Peart, tudo o que ele fez antes de entrar para a banda e etc... basicamente o período pré-Rush é contado por Geddy e Alex, amigos de infância/escola, contando algumas de suas travessuras, e depois todo o período da banda até gravar o primeiro disco, ainda com o antigo baterista, John Rutsey, falecido em 2008. Aí entra Neil Peart contando como ele foi chamado para a banda e como entrou nela. Daí pra frente são os três (e os coadjuvantes: empresários, produtores, etc) contando sobre pontos marcantes da carreira do trio... o fracasso comercial de "Carress of Steel" (o álbum mais subestimado do Rush?), em como eles desafiaram tudo e todos ao gravarem "2112", o ápice prog de "Hemispheres", a proposital mudança para "Permanent Waves", o ápice de "Moving Pictures", a fase dos teclados nos anos 80, a retomada do guitarra-baixo-bateria nos anos 90, a sinceridade de Neil Peart ao voltar a ter aulas de bateria nos anos 90, a terrível fase do baterista quando em menos de um ano viu sua filha e sua esposa morrerem, a emoção com que Alex e Geddy falam sobre isso, a emoção do retorno da banda aos palcos em 2002 após essa fase difícil e quase seis anos parados... e o que eu achei mais legal de tudo: quando foi comentado sobre as letras de Neil Peart e sobre a relação que ele tem com os fãs, com o tema "idolatria" e etc.

Neil é um cara tímido e não aparece nessas sessões de fotos, autógrafos e etc... e ele falando sobre isso foi espetacular... ri bastante quando ele disse que ele simplesmente entra em pânico nessas ocasiões de encontros com fãs, até porque eu sou tímido e sei muito bem o que é entrar em pânico por causa de timidez.
Achei legal também ele "filosofando" sobre isso... dizendo que quando era menor, na época pré-Rush, ele era o "maior fã de The Who" e nunca se imaginava chegando perto dos seus ídolos pra pedir um autógrafo, que aquilo simplesmente fazia ele... "entrar em pânico", haha. E que além da timidez outra coisa também pesa nisso, ele não entende qualquer tipo de adoração ou adulação (Neil Nietzsche Peart)... sinto muito, mestre, mas nessa não estou contigo, você pra mim é um mestre absoluto.

Outra coisa legal do documentário foram as participações dos pais dos três. Foi engraçado ver a mãe do Alex comentando que ela e a mãe do Geddy, lá pelo início dos anos 70, viviam ligando uma para a outra e chorando ao telefone pelos filhos só quererem saber de música e elas achando que não ia "dar nada".

Mas o mais fantástico de tudo é ver a relação dos três. É ver como Alex e Geddy entendem, compreendem, aceitam isso do Neil ser mais fechado, ser mais recluso, não participar de sessões, entrevistas e etc. A amizade entre os três é visível também... não é mais aquela coisa tipo: "somos uma banda clássica, vamos tocar juntos, manter as aparências, fazer os shows e todo mundo achar que somos os velhos amigos dos anos 70"...

Geddy tem um senso de humor peculiar, Alex é o palhaço, o pateta. Neil é o cara que ri com os dois.
No dvd 2 do documentário tem uma cena que não dá pra entender porque ficou de fora do dvd principal, que é um jantar somente com os três em um restaurante, deixaram duas câmeras no lugar e vez ou outra aparecia um garçom para atendê-los. E nisso ficaram umas cinco horas conversando sobre a banda (às vezes seriamente, às vezes não), sobre eles, a relação entre eles, e fazendo muitas palhaçadas... Neil Peart chegou a engasgar de rir, de tanto que Alex Lifeson é engraçado.

Enfim, é agradável demais assistir esse documentário.. não tem encheção de linguiça, é tudo direto e reto pra você conhecer a história, contada por eles mesmos, de uma das melhores bandas da história.

Nenhum comentário: