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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A evolução Rushiana

No outro post que fiz sobre o Rush, eu me mantive mais no aspecto pessoal o texto. Agora fiquei com vontade de escrever sob o aspecto musical do grupo. Ou como queiram, a evolução da banda com o passar dos anos.
Eu achei uma maneira bem fácil de mostrar a evolução do Rush, é simples: escutem os álbuns ao vivo do Rush na ordem em que eles foram lançados:


All The World's A Stage - 1976
Exit... Stage Left - 1981
A Show of Hands - 1989
Different Stages - 1998
Rush In Rio - 2003
R30 - 2005


Primeiro porque os álbuns do Rush seguem uma lógica que sempre compreende a uma fase específica: até o Different Stages, de 1998, era lançado um álbum ao vivo a cada quatro álbuns de estúdio. O suficiente para cada quarteto de álbuns fosse compreendido por uma fase.
Aqui vão elas:


FASE HEAVY ROCK SETENTISTA / COMEÇO DO PROGRESSIVO:

  • 1974 - Rush
  • 1975 - Fly By Night
  • 1975 - Caress of Steel
  • 1976 - 2112
  • 1976 - All The World's A Stage

O início da banda foi com o álbum Rush, disco bem puxado pro hard setentista, com muita influência de Led Zeppelin (inclusive os críticos mais ácidos da época, diziam que a banda nunca ia ser nada por ser uma simples cópia do Led Zeppelin). O álbum era simples, e traz canções que hoje são consideradas verdadeiros clássicos para os fãs como: Working Man, In The Mood e Finding My Way. Vale lembrar também que esse primeiro álbum não conta com Neil Peart na bateria. Neil entrou para o Rush em meio à turnê desse álbum, ele assumiu as baquetas nos últimos shows e ficou para o álbum seguinte, Fly By Night, lançado em 1975, hoje em dia muito cultuado, com uma pegada ainda bem hard rock, mas com a já marcante presença de Neil Peart, que deu um novo tom à banda, o som da banda passara a ser mais dinâmico e inteligente, o álbum tem clássicos como: Anthem, Best I Can, Beneath, Between and Behind, By Tor and The Snow-Dog e a clássica e radiofônica faixa-título, Fly By Night, que é presença constante nas fms de rock brasileiras até hoje. No mesmo ano, em 1975, eles lança sem terceiro e mais polêmico trabalho, chamado Caress of Steel, que contém somente cinco músicas e obteve uma ruim repercussão entre os fãs e a imprensa. O grande destaque do álbum é a música Bastille Day, e as duas mais longas, The Necromancer (12 minutos) e The Fountain of Lamenth (19 minutos). Podemos dizer que nesse álbum a veia progressiva do Rush começou a se mostrar em sua face, e talvez por isso o álbum foi mal compreendido na época e ainda hoje em dia é um álbum subestimado por muitos fãs. Após a decepção com Caress of Steel, a banda parte para o estúdio onde gravam um novo álbum, lançado em 1976. Após seis meses de produção, o Rush solta o álbum 2112, dotado de uma complexidade incrível que faria com que a banda crescesse inclusive nas apresentações ao vivo, passando a usar sintetizadores, Taurus e outros efeitos. A gravadora apostou que o álbum seria um fiasco, e caso fosse mesmo, o Rush estaria ferrado. Só que aconteceu justamente o contrário, em UM mês de vendas, o álbum vendeu mais do que os três primeiros juntos. A partir desse momento, o Rush não era mais uma promessa, era uma realidade. O álbum trás clássicos como 2112 (com suas várias fases e seus vinte minutos de duração) e A Passage To Bangkok. Com o sucesso do álbum e da turnê, o Rush fecha essa fase com o ao vivo All The World's A Stage, gravado no Canadá, terra natal do grupo. O álbum ao vivo apesar de já mostrar alguns clássicos progressivos do Rush, retrata fielmente como foi a primeira fase da banda com seu heavy rock progressivo. O Canadá e a América se rendiam à "Rushmania", inclusive com a Marvel tendo lançado HQ's com a história de 2112. Vale lembrar que desde que Neil entrou para a banda, ele ficou responsável pelas letras do Rush.


FASE PROGRESSIVA:


  • 1977 - A Farewell To Kings
  • 1978 - Hemispheres
  • 1980 - Permament Waves
  • 1981 - Moving Pictures
  • 1981 - Exit... Stage Left


A fase 100% progressiva do Rush começou após o sucesso de 2112 quando a banda foi para o estúdio registrar seu próximo álbum de estúdio. A Farewell To Kings foi lançado e manteve o Rush em alta, os destaques do álbum são: A Fareweel To Kings, a progressivíssima Xanadu e a clássica Closer To The Heart. Após a turnê, em 1978 é lançado Hemispheres, que contém músicas como The Trees, Hemispheres e a brutal La Villa Stragiato, que é um instrumental de quase dez minutos onde Alex Liffeson se superou. A complexidade do Rush tinha aumentado tanto, que só pra gravar a faixa La Villa Stragiato, eles levaram mais tempo do que pra gravar o álbum Fly By Night inteiro. Nesse momento o Rush era uma banda de rock progressivo puro.
Em 1979 o Rush não lança nenhum álbum, apenas segue em turnê, e o próximo álbum é lançado em 1980 com o título de Permanent Waves, e maius uma levada de clássicos como The Spirit of Radio, Freewill, Entre Nous e Natural Science. Nesse álbum o progressivo do Rush ganha uma cara mais pop do que os anteriores. Após a turnê, eles seguiram mais uma vez para o estúdio, em 1981 é lançado Moving Pictures, maior sucesso comercial do Rush até hoje, e destacar uma só faixa não dá, o álbum traz: Tom Sawyer, Red Barchetta, YYZ, Limelight, The Camera Eye, Witch Hunt e Vital Signs. Um clássico absoluto, esse álbum pôs o Rush no topo do mundo, ainda mais com a inclusão de Tom Sawyer no seriado Mcgyver. Após o sucesso, era hora de mais um álbum ao vivo pra fechar a fase com chave de ouro, é lançado Exit... Stage Left, ainda em 1981, álbum que registra o Rush tocando ao vivo seus grandes clássicos progressivos, num verdadeiro registro ao vivo de um show do Rush no auge do progressivo.


FASE PROGRESSIVA POP:


  • 1982 - Signals
  • 1984 - Grace Under Pressure
  • 1985 - Power Windows
  • 1987 - Hold Your Fire
  • 1988 - A Show of Hands

Após a fase do puro rock progressivo, o excesso de teclado reinou no grupo, que além de anos mais tarde causar um mau estar entre membros da banda, jogou a banda de cara nas rádios pop bem na era do videoclip. O primeiro álbum dessa fase, ainda mantinha muitas características da fase progressiva, Signals, lançado em 1982, trazia como destaques músicas como a técnica e pesada Subdivisions, que teve o teclado de Geddy como base, além de The Analog Kid, Digital Man e New World Man. Após ficar um ano sem lançar álbum em 1983 (o que só ocorrera antes em 1979), em 1984 é lançado Grace Under Pressure, que trouxe os hits Distant Early Warning e Red Sector A, além de Between The Wheels e Afterimage. O álbum ainda era bem progressivo, mas o mundo pop já descobria o Rush. E com o álbum seguinte veio o ápice dessa fase: em 1985 é lançado Power Windows. O álbum é marcado pelo teclado em demasia, que fez com que Alex Lifeson começasse a sua descontentação nesse período, basta dizer que foi nesse álbum que Geddy fez mais experimentações com diferentes tipos de teclados e que esse é o álbum preferido do baixista/vocalista/tecladista até hoje. O carro-chefe do álbum é a música The Big Money, além de Manhattan Project, Marathon, Territories e Mystic Rhythms. Podemos dizer que com esse álbum aconteceu o terceiro grande pulo do Rush em relação ao sucesso: em 2112 a banda passou a ser conhecida na américa do norte e reconhecida como talentosos músicos. Com Moving Pictures eles foram lançados ao sucesso mundial no mundo do rock, digamos que antes o Rush era mais conhecido apenas entre o público especializado em progressivo e heavy metal. E com Power Windows o Rush finalmente entrou no mundo pop, tendo seu vídeoclip passado demais na MTV e etc. Podemos dizer que esse álbum é a razão de muita gente que não tem nada a ver com o meio do rock/heavy metal/progressivo conhecer o Rush. Após a turnê, mais um ano sem álbum lançado (1986) e em 1987 é lançado Hold Your Fire que mantém o clima de Power Windows, porém com um pouco menos de teclados (talvez longas discussões entre Alex e Geddy já tenham sido travadas nesse tempo). O álbum manteve o Rush no clima pop, e músicas como Time Stand Still foram sucessos mundiais. Além dela, Force Ten, Mission, Turn The Page, Lock and Key, Second Nature, Open Secrets. O álbum é um verdadeiro clássico, considerado por muitos como um dos dois melhores álbuns banda, como apontou Vitão Bonesso à Roadie Crew n° 74 de Março/2005. Era o quarto disco de uma fase, significa que chegava a hora de mais um ao vivo. A Show of Hands é lançado em 1988 e reflete bem o que foi aquela fase: um álbum ao vivo com um clima progressivo pop com muito teclado, muito sintetizador e inclusive os velhos clássicos sendo tocados com efeitos de sintetizadores.


FASE "RETORNO AO HEAVY ROCK PROGRESSIVO"


  • 1989 - Presto
  • 1991 - Roll The Bones
  • 1993 - Counterparts
  • 1996 - Testo For Echo
  • 1998 - Different Stages

Ao que tudo indica, as grandes discussões entre Alex e Geddy tiveram seu ápice por essa fase. Em 1989 é lançado Presto, que é considerado por muitos de seus fãs (inclusive por este que escreve) como o pior álbum do Rush. Talvez seja subestimação... O álbum trouxe músicas como Show Don't Tell, Chain Lightning, The Pass e Superconductor. Após a turnê, mais um ano sem álbuns (1990), em 1991 é lançado Roll The Bones, onde três músicas de destacam: Roll The Bones, que tem um ritmo funkeado, algo inédito no Rush, Bravado e Dreamline. Esse período foi marcado por uma grande tensão no Rush. Em meio às gravações do próximo álbum, Alex disse que ou 80% dos teclados do álbum seguintes ou ele próprio sairia, o que causou uma grande tensão entre Alex e Geddy. Alex, além disso também pediu a volta do produtor Peter Collins para produzir o álbum (curiosamente, Peter Collins que produziu os álbuns "tecladeiras" do Rush: Power Windows e Hold Your Fire). Acordo feito, Peter Collins e 80% dos teclados retirados, e em 1993 é lançado Counterparts, que traz hits como Animate, Stick It Out e Nobody's Hero. Outros destaques ficaram por Between Sun & Moon, Cold Fire e a instrumental Leave That Thing Alone. O álbum todo é um clássico. Se a 'culpa' disso foi de Alex ou não, não sabemos, mas o resultado de suas reinvidicações deu certo. Alex Lifeson é o grande nome de Counterparts, onde a sua guitarra voltou ao lugar que o teclado, de certa maneira, havia tomado. Mais uma turnê se seguiu e após mais alguns anos, em 1996 eles soltam mais um disco. Test For Echo é lançado, tendo como destaques Driven, Test For Echo, Half The Word e Resist. Tenho carinho em particular com esse álbum, pois ele foi o primeiro álbum do Rush que eu escutei, quando peguei emprestado com um amigo. A tensão entre Geddy e Alex ainda mantinha seus resquícios. O acordo de eliminação dos teclados foi mantido, e novamente em Test For Echo, eles foram usados apenas em alguns pontos do disco. Test For Echo mantém o pique de Counterparts, só que mais pesado. Alex estava endiabrado com riffs realmente pesados. Mais uma turnê seguiu, e era hora de fechar a fase com mais um álbum ao vivo. Different Stages é lançado em 1998. Foi um dos primeiros CD'S triplos a alcançar sucesso. Os dois primeiros cds traziam registros das turnês de Test For Echo e Counterpartes, enquanto o terceiro cd é de um show em 1976. Vale mencionar também que em todos esses álbuns têm uma música instrumental, e em todos os casos essas músicas instrumentais foram indicadas ao Grammy de melhor canção de rock instrumental.


FASE DO 'PROGRESSIVO SEM TECLADOS':



  • 2002 - Vapor Trails
  • 2003 - Rush In Rio
  • 2004 - Feedback
  • 2005 - R30
  • 2007 - Snakes & Arrows

Após o lançamento de Different Stages, ocorrem grandes mudanças na vida do baterista Neil Peart. Em menos de um ano, morre sua esposa e sua filha, que faz com que o baterista entre numa espécia de "retiro pessoal", onde ele faz viagens pelo América do Norte de moto e bicicleta. Os colegas de banda entendem o momento do companheiro e não o cobram para um retorno do Rush a estúdio com um novo álbum. Quando Neil se sente à vontade para retomar o Rush, ele liga para os companheiros, e o trio vai para estúdio novamente para lançar o álbum mais cru de sua carreira. Neil escreve letras ainda mais sentimentais devido aos acontecimentos de sua vida, e em 2002 é lançado Vapor Trails. Com destaques como Sweet Miracle, One Little Victory, Ghost Rider e Earthshine. O álbum é dotado com uma agressividade e uma crueza admiráveis em se tratando de Rush. Não há teclado no álbum, que tem um peso de guitarra extraordinário. Vapor Trails talvez seja, junto com Caress of Steel e Presto, o álbum mais subestimado do Rush, assim como os dois, Vapor Trails é tido por muitos como o pior álbum da carreira do trio. A turnê desse álbum foi especial para nós, os fãs brasileiros. Pela primeira vez o Rush veio ao Brasil em turnê, tocaram em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No Rio gravaram o novo álbum ao vivo (pela primeira vez um álbum ao vivo não vinha depois de quatro de estúdio) chamado Rush In Rio, que foi lançado em 2003. Os shows da turnê era enormes, um total de 30 músicas por show (31 no Brasil, onde eles acrescentaram Closer To The Heart, após serem informados que essa canção era um grande hit do Rush por aqui). Aliás, os shows grandes do Rush não foram exclusividades dessa turnê, desde os anos 80 o Rush fazia apresentações com cerca de três horas e divididas em duas partes. Neil Peart executou por aqui seu solo, chamado de "O Baterista", no qual além de mostrar toda sua técnica, ele implantou samplers por sua bateria, e em determinados momentos quando tocava em um prato, ou uma caixa, sons de big bands americanas saiam nos holofotes e no telão do show, dando a impressão de Neil estar tocando com elas. O que de fato estava, porque era ele quem comendava a bateria... O repertório dessa turnê foi bem eclético em relaçao à carreira do trio, tinha desde Working Man, do primeiro álbum, até canções de Vapor Trails, passando por Red Sector A, New World Man e Vital Signs, clássicos dos anos 80. Somente dois álbuns não tinham canções no set list da turnê: Caress of Steel e Hold Your Fire.
Após o lançamento do dvd ao vivo, seguiu-se um álbum de estúdio de covers chamado Feedback. Eles gravaram covers de atistas dos anos 60 e 70, tendo como destaques Summertime Blues (de Eddie Cochran), Heart Full of Soul (do The Yardbirds), The Seeker (do The Who) e Crossroads (de Robert Johnson).
Uma turnê foi agendada, mas não exatamente com o fim de promover o álbum Feedback, e sim de comemorar os trinta anos do primeiro álbum da banda, lançado em 1974, então em 2004 eles saíram em turnê, onde registraram um dvd e cd pra comemorar essa marca, chamado R30. No set list, os clássicos eternos, e mais um apanhado de canções que o grupo não tocava há muito tempo, como Force Ten, Between The Weels e o clássico supremo Subdivisions.
Após a turnê, e mais uma vez o grupo volta a estúdio pra gravar o próximo álbum de estúdio... Snakes & Arrows é lançado em 2007 e os destaques do álbum são vários: primeiro, Alex Liffeson. Mas não da maneira que ele se destacou em Counterparts, Test For Echo e Vapor Trails, onde ele apresentou um peso grande para o som da banda, mas o destaque dele no novo álbum foram os timbres. Muita gente tem colocado esse detalhe como o diferencial do álbum, Alex utilizou muitas timbragens e tons, assim como violões na base que deram uma dinamização muito no álbum. Outro destaque foi a simplicidade de Neil Peart, Neil tocou mais direto, ainda que direto "à sua maneira" porque com Neil Peart na bateria, nenhuma música é simples. Muita gente comentou que talvez o baterista não fosse mais o mesmo por tocar mais "simplesmente" no álbum, desconfianças que logo foram abaixo quando os primeiros bootlegs da turnê foram soltos na internet, e mostrava um Neil mais endiabrado do que antes, e ainda com o seu magnífico solo "O Baterista" no set list.
A banda segue em turnê, apresentações no Brasil estão sendo agendadas, e em abril será lançado mais um cd/dvd ao vivo que registrou a turnê de Snakes & Arrows. Será que esse ao vivo registra mais um fim de fase? Será que o trio está preparando algo diferente para um próximo álbum? Será que Alex está sentindo falta dos teclados? Não sei... mas provavelmente só teremos a resposta dessas questões lá por 2010/11...


Rush na veia dos irmão!

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